Hanna e Simon tem um feliz relacionamento que já dura 20 anos, mas acabam se apaixonando pelo mesmo homem. Esse é o ponto de partida de Drei, novo trabalho de Tom Tykwer (Corra Lola, corra / Das Parfum). Nessa entrevista, o diretor fala sobre seu filme e aborda um pouco a curiosidade e franqueza nas relações, temas centrais em sua recente produção, que estreou nos cinemas alemães em dezembro do último ano.

Uma relação a três é realmente possível na vida real ou algo que fica apenas no imaginário?

O filme não é um defensor de uma relação a três. Trata-se muito mais de uma franqueza segura que devemos manter. adequada à densidade de nosso conhecimento. Por isso sempre tenho a sensação  de que temos em nossa própria percepção mais do que de fato conseguimos viver. Geralmente somos mais radicais do que essa forma ordenada, burguesa e conservadora que a vida parece ter obrigação de ter. Ao mesmo tempo temos consciência de nossas outras necessidades. Harmonizar isso é difícil. Vez por outra deve-se encarar seus sentimentos e cargas. Não é uma traição imediata às pessoas que me cercam, caso eu confesse que estou de olho em outra pessoa.

Em ‘Drei’ também está em jogo que na vida, independente da idade, se tem o questionamento do que foi e do que ainda poderia vir.

Acho que é um filme que trata da sempre recorrente vida adulta, do sentido disso. De pessoas que agora tem a responsabilidade de modelar suas próprias vidas. Elas são as criadoras, pois a vida não será mais formada para elas. Trata de pessoas que talvez pretendam chegar a um lugar qualquer, e ao mesmo tempo constatar que isso é apenas uma questão de afirmação. E isso com frequência é mais frágil do que se tinha imaginado. A ideia da chegada já traz algo ameaçador em si mesma: de fato se supõe que nada mais pode ser experimentado, que se deve deixar a curiosidade em casa e que a vida libidinosa está proibida. O filme se coloca um pouco contra isso.

Por que você decidiu voltar a rodar um filme na Alemanha?

Não foi uma decisão consciente: “agora quero fazer de novo um filme alemão”. O que aconteceu é que tinha a trama há muitos anos na cabeça e a desenvolvi por muito tempo. Em algum momento percebi que já estava madura, pronta para ser colocada em pratica. Também queria voltar a rodar um filme na Alemanha pela motivação de um sentimento de pátria. É o pais em que vivo e me sinto bem – entao gosto de descrever parte disso.

Qual foi a importância de trabalhar em alemão?

A língua é um tema real para mim. Há uma distinção se crio cenas em inglês ou em alemão. Falo muito  bem inglês, mas apesar disso há sempre um rodeio com a tradução interna. Preciso antes refletir um pouco e dar ao que foi dito o significado correto. Isso não acontece em alemão, pois consigo trabalhar as falas facilmente em conjunto com os atores. Esse jeito me agrada muito mais.

Você disse que a idéia já existia há alguns anos. Nesse meio tempo foram inseridos elementos autobiográficos?

Naturalmente estão contidas situações que talvez eu tenha vivido de forma semelhante. Não é um mundo que eu não conheça, como também não é o meu mundo. Mas são pessoas que tem aproximadamente minha idade, da cidade onde vivo, pessoas que participam da vida cultural e cientifica, assim como eu. Por isso eu sei do que falo. De resto são elementos fragmentados que em algum momento trouxe ao fluxo narrativo. Elementos inventados e vivenciados se equilibram nessa balança.


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