Wir sind Helden é o centro das atenções do mercado pop alemão. À frente da banda desde o início, a vocalista Judith Holofernes se tornou com o tempo uma espécie de mãe das novas bandas que surgem no cenário musical do país, sendo referência na mídia quando o assunto é música. Nessa entrevista, Judith fala sobre a banda, o mercado fonográfico e sobre sua vida como pessoa pública.

Judith, o título do novo álbum é Bring mich nach Hause. Há um ditado inglês que diz: “casa é onde o coração está”. O título do disco fala de um coração que quer ir para casa?

Na verdade sim. Em todo caso é um sentido de estar em casa internamente, o que naturalmente se relaciona sempre com uma espécie de moradia externa. Quem leva uma vida como a minha, sempre indo para algum lugar, tem uma grande dificuldade de encontrar um porto seguro. O que eu posso é ter uma moradia temporária, e por causa disso hoje tenho muito mais saudade de meu lar do que antigamente.

Muitos dos refrões do novo álbum remetem a idéias um pouco ingênuas: “Alles ist alles” (tudo é tudo) ou “ein Kuss ist ein Kuss ist ein Kuss” (um beijo é um beijo é um beijo”. A vida é de fato tão simples assim?

Eu acho que apenas em alguns recortes as letras pareçam tão simples. Dessa vez tinha uma forte necessidade de chegar ao essencial, de ir à raiz das coisas. Com o tempo acabei perdendo o sentimento que dá origem aos textos. Alles é uma fantasia, que se passaria quando tudo fosse dado a alguém de uma vez.

Então devo pensar sobre o titulo “Meine Freundin war im Koma, und alles was sie mir mitgebracht hat, ist dieses lustige T-Shirt“ (minha amiga estava em coma, e tudo que ela me trouxe foi essa camiseta divertida). Claramente é uma musica sobre uma experiência de quase morte. Há pessoas que, para isso, aprendem técnicas especiais de meditação ou tomam drogas pesadas.

Eu conheço experiências de meditação nas quais se atinge um profundo silencio, e tenho idéia de como é possível se sentir bem com isso. Por isso vivenciei um grande contraste com a realidade na qual as pessoas se mantem, e no meu dia-a-dia sinto com freqüência uma grande saudade do silêncio. Mas nisso também há um lado bom e um ruim.

O lado ruim do silêncio?

Sim, há sempre o anseio pela definição por completo, como uma simples idéia de recuo. Mas se alguém é muito fraco para encontrar sozinho o silêncio, então se tem de fato a saudade dele. Mas eu não o sinto com tanta facilidade. Eu o acho mais brusco que antigamente. Tive dessa vez a necessidade de abrir mão de tanta curiosidade. Para mim o novo disco foi muito influenciado pela musica Folk, mais acústico que antes.

Com „Wolfgang und Brigitte“ você fez um música sobre uma relação poligâmica, que acaba muito mal para o protagonista Wolfgang. É uma espécie de recomendação de que é melhor tentar ser feliz em uma relação monogâmica, antes de se complicar sem necessidade?

Não, na verdade não. É apenas a observação de que em tais relações as pessoas são prejudicadas. O que não quer dizer que não possa ser bom, maravilhoso até. Nesse caso reflete o pobre Wolfgang, que sempre chora no banheiro, enquanto todos apenas discutem o amor livre. Acredito que seja difícil encontrar um sistema no qual todos tenham os mesmos direitos.

Não te chateia como artista o fato de ter de falar publicamente sobre sua vida emocional em lugar de sua música?

Sou consciente de que esses temas de folhetins diários são uma oportunidade para nós. Simplesmente pelo fato de estarmos na mídia, que geralmente não dão muito espaço para músicos pops falarem disso. Por isso não reclamo, embora seja curioso que as pessoas esperem que suas opiniões sobre tudo sejam públicas.

Wir sind Helden sempre foi visto pelos promotores estatais da indústria pop como um modelo de sucesso, principalmente por ter sido ícone da Hamburger Schule. Mas honestamente: não é melhor o Estado se manter fora da indústria pop? Não é ruim chegar ao sucesso com grana pública?

Sim, mas vendo o cenário musical deve-se perguntar: quem o sustenta? É fato bandas que estampas as revistas ainda terem de pegar táxi. Não se trata de perguntar: quero ficar rico?, mas sim: quero ser músico? Esse nicho de cultura é um pensamento romantizado, mas não é tudo. Custa dinheiro! E naturalmente muitos mantenedores da indústria pop não fazem idéia do que seja cultura independente. Eu tenho muitos problemas com a mudança de imagem à qual bandas indies se submetem por dinheiro. Apesar disso, fazer shows é a única maneira de fomentar a subcultura. Mas para mim se mostra sempre o apelo: quem pensa que comprar discos alimenta apenas a indústria fonográfica, está enganado. A princípio todo CD gravado é seguido de um grande evento da Coca-Cola no Portão de Brandemburgo.

Traduzido e adaptado de: Berliner Zeitung

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